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Ilustração – Praça da Liberdade - Imagem: SECOM MG
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As iniciativas que transformaram edificações históricas em espaços vivos de cultura, arte e conhecimento como está ocorrendo com o conjunto arquitetônico da Praça da Liberdade não são novidades. Exemplos de prédios que passaram por intervenções no exterior e no Brasil comprovam o sucesso dos novos usos.

Conheça abaixo alguns desses exemplos no exterior e no Brasil:

 

Reichstag

Ao final da segunda guerra mundial, o Palácio de Reichstag - originalmente projetado em 1894 e que foi palco da proclamação da República Alemã, casa do parlamento, sobreviveu a um incêndio em 1933 e foi ocupado como apoio militar - estava em ruínas. Apenas na década de 1990 iniciou-se o seu projeto de reconstrução, finalizado em 1999 e pautado em quatro propósitos: o significado do Bundestag (Assembléia Federal Deliberativa) como fórum democrático; um compromisso em promover a acessibilidade e permanência do público; uma atenção especial à sua conturbada história; e um efetivo compromisso com a adoção de uma agenda ambiental. A concepção do projeto configurou uma analogia entre a importância política de uma democracia transparente e as intervenções no edifício, adicionando o sentido de gestão democrática, museu vivo e testemunho da sua própria história, estimulando e atraindo a visitação pública.

Tate Modern

Centro referencial de arte moderna, a Tate Modern, na Inglaterra, integra o grupo britânico Tate, composto ainda da Tate Britain (antiga Tate Gallery, aberta em 1897 e assim renomeada em 2000), Tate Liverpool e Tate St Ives. A Tate Modern foi instalada na antiga central elétrica de Bankside, projetada em 1947, às margens do Tamisa. Inaugurado em 2000 e abrigando o acervo de arte moderna originário da Tate Britain (que ficou reservada à arte britânica), a Tate Modern imediatamente transformou-se em um dos locais mais visitados do Reino Unido. Para adequar o edifício à proposta e acervo do museu de arte moderna, o projeto arquitetônico trabalhou dentro da idéia de conversão, adaptação e transformação mais do que na de reconstrução. O resultado foi um grande centro de cultura e lazer em Londres, que oferece atividades à comunidade e diversos outros públicos. Além disso, a instalação da Tate Modern contribuiu de forma determinante para o desenvolvimento da área como potencial da cultura contemporânea.

British Museum

No final do século XX, iniciaram-se as obras do projeto de requalificação e renovação do pátio do edifício neoclássico que abriga o British Museum, um dos principais museus e centros de cultura de Londres desde a sua abertura, em 1852. O projeto promoveu a renovação dos espaços tradicionais que, aliada às atividades promovidas, proporcionou um aumento extraordinário no número de visitantes e um maior envolvimento e integração das pessoas com o museu. Essas inovações concluídas em 2000 representam uma relevante experiência de intervenção em tradicional espaço museográfico que cria, valoriza e operacionaliza harmoniosamente a integração do antigo com o novo, oferecendo espaços e ambientes que contribuíram para uma maior fruição de seus espectadores e visitantes.

Louvre

O edifício que abriga, há mais de 500 anos, o museu mais importante do mundo - o do Louvre, em Paris - já teve muitas outras funções. Inicialmente projetado como um forte, no século XII, foi posteriormente transformado em palácio, passando por sucessivas intervenções realizadas pelos reis franceses. O edifício foi também sede de instituições estatais e da Academia Francesa. Desde que se consolidou como museu, a última mudança de porte ocorreu com o projeto "Grand Louvre", na década de 80, que propôs uma intervenção arquitetônica capaz de adequar a estrutura existente do Museu aos espaços demandados para exposição do acervo. A instalação de uma pirâmide de vidro com 900 m2 de base e 22 m de altura é até hoje um marco. O projeto transformou o Louvre em um ambiente público e popular, um local reservado ao lazer e ao aprendizado, voltado tanto para visitantes do Museu quanto para os cidadãos parisienses, que usufruem de uma experiência artística, histórica, política e cultural em uma espacialidade integrada ao meio urbano.

Opera House

Em 1993 foi concluído o projeto de expansão e renovação da famosa Opera House de Lyon, na França, tendo como objetivo a otimização das realizações e apresentações artísticas que o teatro sedia. A proposta do arquiteto Jean Nouvel consistiu na preservação da fachada e de aspectos tradicionais e artísticos do antigo edifício, construído em 1831, acrescida de um novíssimo vão abobadado estruturado em aço e vidro e venezianas metálicas. O novo projeto do Opera House corporifica a imagem de um espaço cultural, artístico e histórico híbrido, que integra o passado e o futuro através da adoção de tecnologia avançada aliada a princípios artísticos contemporâneos.

Museu de Artes e Ofícios

O Museu de Artes e Ofícios (MAO) está instalado na Estação Central de Belo Horizonte, por onde transitam milhares de pessoas diariamente. Para abrigar o Museu foram restaurados dois prédios antigos de rara beleza arquitetônica, tombados pelo patrimônio público. A sua implantação incluiu ainda a recuperação, pela Prefeitura de Belo Horizonte, da Praça da Estação, marco inaugural da cidade, que, cada vez mais, se consolida como espaço destinado a eventos e manifestações culturais. O MAO, espaço cultural que abriga e difunde um acervo representativo do universo do trabalho, das artes e dos ofícios do Brasil, é uma Iniciativa do Instituto Cultural Flávio Gutierrez (ICFG), em parceria com o Ministério da Cultura e a CBTU, Companhia Brasileira de Trens Urbanos.

Pinacoteca

Inaugurada em 1905, a Pinacoteca do Estado de São Paulo ocupou o edifício do Liceu de Artes e Ofícios, obra de concepção neoclássica, executada entre 1897 e 1900. Quando este prédio monumental foi tombado, na década de 1980, e a Pinacoteca tomou posse efetiva de toda a estrutura para fins museográficos, iniciou-se o projeto de reestruturação, a cargo da equipe chefiada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha. A intervenção, concluída em 1998, qualificou suas áreas e deu-lhes eficiente infraestrutura capaz de atender a vários tipos de suportes museológicos, além de promover condições ótimas de permanência, acessibilidade e integração com o entorno, uma vez que a reestruturação do prédio integrou a renovação do bairro da Luz. Ao lado desses condicionamentos, desenvolveu-se um projeto de conservação do prédio articulado com a implantação de novas soluções técnico-construtivas que consolidaram a Pinacoteca como sendo um dos mais importantes museus do país.

Museu Rodin

Implantado no majestoso Palacete Comendador Catharino, em Salvador, na Bahia, o Museu Rodin Bahia é outro exemplo brasileiro de intervenção arquitetônica para novos usos de prédios tombados pelo patrimônio público. Convivência é a palavra que melhor expressa o ideário-guia do projeto de arquitetura do Museu Rodin Bahia. Convivência de dois edifícios com diferença de idade de um século: cada um, ao seu tempo, expressando uma técnica e um modo de construir, de morar, de usufruir o espaço. Ambos com personalidade própria, envolvidos por um jardim tropical que os une sem tirar deles o forte caráter. O acervo do grande mestre francês ocupa os salões do Palacete e seu belo jardim, enquanto as exposições temporárias ocuparão um novo edifício que foi construído.